
Sexta-feira, lá pelas seis da tarde. Lembrei do que me encanta na minha cidade. Da aldeia dos invisíveis Guarani, tomei o trem para a Barra Funda. Ia descendo, quando uma mulher perguntou a-sei-lá-quem: a-próxima-é-a-Luz,-né? É. Entrei de novo no trem para poder descer na Luz. Só porque lá a estação é bonita. E o caminho: o vagão grafitado, vivo e sem vidros, que já foi obra de arte. O carro alegórico da escola de samba, verde, sob a ponte, a aguardando o carnaval. A fábrica que guarda, nas paredes que já não são brancas, a história dos seus empregados. As casas dos empregados, que devem guardar, nas paredes coloridas, as horas de descanso.
A estação está cheia o suficiente para eu achar que as pessoas que descem do trem talvez não tenham tempo para olhar as estruturas de ferro. Mas esta é a graça da cidade. As coisas estão ali, mesmo quando parecem invisíveis.