sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Os panetones. E as luzes.
É isso mesmo, Pa – ne –to- ne. E vinho. E amigos com alguma coisa bonita pra comemorar. Mas as luzes, são as luzes o mais legal. Tem uma coisa que eu inevitavelmente gosto nessa época de Natal, além do panetone, que é o encanto de ver umas árvores iluminadas anunciando, do nada, que tem alguma coisa sendo aguardada. Elas ficam mas bonitas ainda neste ano que foi o ano de entender os rituais. Acho que a partir deles eu consegui dar uma ordem ao mundo, entender um tanto mais sobre como o ser humano se organiza e sobrevive – consegui achar que é o ser humano mesmo, todo mundo, que se organiza assim, ainda que as formas finais sejam diferentes. Logo eu, que pulei todos – quase todos, tem uns que não passaram ainda. Uns burrinhos nós que achamos que somos tão diferentes, modernos. Somos nada, e só olhando os outros dá pra entender como funcionamos. Bom, mas isso tudo pelo prazer de olhar pra um canto e ver uma indicação de natal, de festa, de aguardo, de passagem, de olhar pra trás pra planejar, cinco dias depois, o que pode vir à frente.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Mr Tambourine Man
Ainda bem que o rock and roll existe. E o cinema. E que de tempos em tempos os dois se encontram pra lembrar a gente de que a vida é incrível quando tudo tinha ficado meio igual, meio cinza, meio com cara de papel almaço usado pra rascunho.
I´m not there é o nome do filme, e o rock and roll é aquela música feita pelo Bob Dylan, com aquela voz esquisita conversando com a gaita e com o bom e velho violão. Tudo isso lá pra me contar que a dor da vida é essa que a gente tem, que os músicos conseguem mostrar mas que todo mundo vive (é?), que de repente até dá pra usar essa mesma dor chata pra se reinventar quando o molde já não cabe mais.
I´m not there é o nome do filme, e o rock and roll é aquela música feita pelo Bob Dylan, com aquela voz esquisita conversando com a gaita e com o bom e velho violão. Tudo isso lá pra me contar que a dor da vida é essa que a gente tem, que os músicos conseguem mostrar mas que todo mundo vive (é?), que de repente até dá pra usar essa mesma dor chata pra se reinventar quando o molde já não cabe mais.
sábado, 1 de dezembro de 2007
Cinema brasileiro de linha argentina e diretor chileno
Volto ao tema da guerra do post anterior, ainda que ainda esteja buscando um assunto pra falar de amor. “Tá tudo podre, a gente finge que é cego pra não ver”, diz León, protagonista de “Proibido proibir”, filme brasileiro de diretor chileno radicado por aqui que estreou em 2007. O filme, acho eu, passa de um jeito singelo, sem deixar de ser duro, por temas presentes em várias das produções nacionais mais polêmicas dos últimos tempos: classe média, boa vida e drogas, o encontro da zona sul carioca com o morro e a vida real, violência, morte, ação da polícia.
Até onde vi, não foi filme de grande repercussão, apesar de tratar dos mesmos temas que outros alardeados, como o Tropa de Elite. Tá, o tamanho das produções é diferente, mas o tema é sim parecido e este aqui me pareceu bem mais filminho da linha latino-americanos recentes, sem pretensão a blockbuster, menos ambiciosos mas tratando bem temas da vida urbana cotidiana. Me lembrou muito dos argentinos dos últimos anos, daqueles que dá gosto de ver e que tratam de temas políticos sim, sem que a política e a vida real estejam separadas.
Fui tentar conferir se a pouca repercussão do filme era desinformação minha. Descobri que o filme, feito com feito com R$ 1,1 milhão (baixo orçamento), foi bem em festivais desde 2005 (os links tão logo abaixo), passou um tempo sem distribuidor e estreou em uma sala em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Brasília no meio de 2007. Proibido proibir inscreveu-se pra indicação brasileira pra concorrer ao Oscar e não ganhou atenção maior dos jurados, me dá vontade de saber por que.
Um triângulo amoroso (lembrou o também recente Cidade Baixa) e perda da inocência aparecem também, levados por personagens bem construídos o suficiente para não cair na armadilha de esquematizar o mundo em questões de gente engajada/não engajada, paulista/carioca, branco/negro, vasco/flamengo. Estão lá, mas não viraram lugares comuns a ponto de incomodar. O diretor foi roteirista de “Lúcio Flávio - Passageiro da Agonia", "Pixote - A Lei do Mais Forte".
A cena do cemitério, no meio de outras, me lembrou cena do “Rosário Tijeras”colombiano sobre mulher chefona do submundo de Medellín, também filme sobre a vida contemporânea, o envolvimento entre o mundo e o submundo. Acho que este nunca estreou no Brasil, passou por aqui em festivais. O filme é baseado no livro de Jorge Franco Ramos, colombiano.
"Proibido Proibir" vence Festival de Cinema de Bogotá, (EFE, 12/10/2007)
Filme de Jorge Duran vence prêmio no Festival de San Sebastián (EFE 22/09/2005)
Brasileiro "Proibido proibir" ganha prêmio no festival de cinema de Biarritz (Folha, 02/10/2006)
Filmes brasileiros agradam em festivais, mas podem nunca estrear (Folha, 31/10/2006 - 09h31)"Proibido proibir" ganha Festival de Viña del Mar (Folha, 20/11/2006)
Até onde vi, não foi filme de grande repercussão, apesar de tratar dos mesmos temas que outros alardeados, como o Tropa de Elite. Tá, o tamanho das produções é diferente, mas o tema é sim parecido e este aqui me pareceu bem mais filminho da linha latino-americanos recentes, sem pretensão a blockbuster, menos ambiciosos mas tratando bem temas da vida urbana cotidiana. Me lembrou muito dos argentinos dos últimos anos, daqueles que dá gosto de ver e que tratam de temas políticos sim, sem que a política e a vida real estejam separadas.
Fui tentar conferir se a pouca repercussão do filme era desinformação minha. Descobri que o filme, feito com feito com R$ 1,1 milhão (baixo orçamento), foi bem em festivais desde 2005 (os links tão logo abaixo), passou um tempo sem distribuidor e estreou em uma sala em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Brasília no meio de 2007. Proibido proibir inscreveu-se pra indicação brasileira pra concorrer ao Oscar e não ganhou atenção maior dos jurados, me dá vontade de saber por que.
Um triângulo amoroso (lembrou o também recente Cidade Baixa) e perda da inocência aparecem também, levados por personagens bem construídos o suficiente para não cair na armadilha de esquematizar o mundo em questões de gente engajada/não engajada, paulista/carioca, branco/negro, vasco/flamengo. Estão lá, mas não viraram lugares comuns a ponto de incomodar. O diretor foi roteirista de “Lúcio Flávio - Passageiro da Agonia", "Pixote - A Lei do Mais Forte".
A cena do cemitério, no meio de outras, me lembrou cena do “Rosário Tijeras”colombiano sobre mulher chefona do submundo de Medellín, também filme sobre a vida contemporânea, o envolvimento entre o mundo e o submundo. Acho que este nunca estreou no Brasil, passou por aqui em festivais. O filme é baseado no livro de Jorge Franco Ramos, colombiano.
"Proibido Proibir" vence Festival de Cinema de Bogotá, (EFE, 12/10/2007)
Filme de Jorge Duran vence prêmio no Festival de San Sebastián (EFE 22/09/2005)
Brasileiro "Proibido proibir" ganha prêmio no festival de cinema de Biarritz (Folha, 02/10/2006)
Filmes brasileiros agradam em festivais, mas podem nunca estrear (Folha, 31/10/2006 - 09h31)"Proibido proibir" ganha Festival de Viña del Mar (Folha, 20/11/2006)
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